<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4775361817915151294</id><updated>2012-02-16T20:42:00.287-03:00</updated><title type='text'>LevergerOnLine</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://leverger-online.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4775361817915151294/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leverger-online.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>LevergerOnLine</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12152676512350694477</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_NXZExM1axUI/SE1PbKGGSwI/AAAAAAAAADM/Hy1HWimzCew/S220/banner.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4775361817915151294.post-2877938575594534888</id><published>2008-06-09T11:43:00.003-04:00</published><updated>2008-06-09T11:47:28.321-04:00</updated><title type='text'>Velho Poço</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NXZExM1axUI/SE1Qe4IRdFI/AAAAAAAAADU/II9GX3qgd8M/s1600-h/fatima.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_NXZExM1axUI/SE1Qe4IRdFI/AAAAAAAAADU/II9GX3qgd8M/s320/fatima.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209908835330913362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No meio do campo verdinho havia um poço!... Era aproximadamente 5:00 horas e os galos anunciavam, religiosamente, a chegada da manhã। Na mais perfeita harmonia, os bem-te-vis e sabiás saudavam os primeiros raios de sol, enquanto as galinhas desciam dos puleiros, cacarejavam e comiam os milhos esparramados no terreiro. Ao longe podia-se ouvir as batidas do pilão, onde era socado o arroz que seria transformado em bolo assado nas latinhas de sardinha ou manteiga. As batidas acordavam as crianças que se levantavam de suas redes e camas de campanha e logo eram encaminhadas ao poço para buscarem água. Antes de irem para o Grupo Escolar, tinham a obrigação de encher o tambor e outras vasilhas. Era um vai-e-vem de pernas infantis, tal qual formigas antes de uma chuva. O carrinho de mão era o meio usado para transportar as quatro latas de querosene, que eram amarradas com cordas e, higienicamente, tampadas com pano. Alguns meninos carregavam suas latas no ombro, enquanto as meninas todas faceiras equilibravam suas latas na cabeça, protegida por uma rodilha de pano. As caçambas eram lançadas dentro do poço com uma habilidade invejável, porém era inevitável que elas se chocassem e alguma acabasse no fundo da água límpida. Imediatamente alguém gritava: __ Vamos tirar a caçamba! Pegavam uma linha de pescar ou uma corda com um gancho na ponta, tentavam uma, duas, três vezes e logo tiravam a vasilha. Nada era penoso. Era uma obrigação divertida e prazerosa.Logo em seguida, as mulheres chegavam com suas enormes trouxas de roupas, separavam as de cor das brancas, enchiam as banheiras e começavam a lida. Sentadas de cócoras, esfregavam as roupas e logo iniciavam a colocar a prosa em dia. Histórias mirabolantes eram contadas pelas mais velhas; ora de assombração, ora de pescaria... Alguém lembrava as outras de que no dia seguinte não poderiam lavar roupa porque era dia-santo e deveria ser guardado. Entre um assunto e outro, a pausa era preenchida por uma cantilena que acalmava os ânimos. Tudo era interessante! A vida alheia ficava fora da pauta, afinal todas eram comadres. Após a primeira lavada, as roupas iam sendo colocadas no coarador e vigiadas por crianças para que galinha não andasse sobre elas ou vaca comesse alguma peça. As roupas brancas eram lavadas com sabão e folhas de mamoeiro para que ficassem perfeitamente alvejadas. Vez e outra, as roupas eram clareadas com pedras de anil, tão azuis quanto o céu que aquelas lavadeiras recebiam de presente para secar as roupas lavadas com carinho. Os galos se calaram, as galinhas sumiram do terreiro, as pedras de anil se diluíram e o velho poço foi aterrado. Felizmente, sobraram vivas as minhas memórias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana de Fátima Fontes – Licenciada em Pedagogia e Especialista em Metodologia da Matemática pela Universidade Federal de Mato Grosso – Professora da Rede Pública Estadual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autora: Ana de Fátima Fontes). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4775361817915151294-2877938575594534888?l=leverger-online.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4775361817915151294/posts/default/2877938575594534888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4775361817915151294/posts/default/2877938575594534888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leverger-online.blogspot.com/2008/06/velho-poo.html' title='Velho Poço'/><author><name>LevergerOnLine</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12152676512350694477</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_NXZExM1axUI/SE1PbKGGSwI/AAAAAAAAADM/Hy1HWimzCew/S220/banner.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NXZExM1axUI/SE1Qe4IRdFI/AAAAAAAAADU/II9GX3qgd8M/s72-c/fatima.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4775361817915151294.post-3124567782255775319</id><published>2008-01-11T11:04:00.000-03:00</published><updated>2008-01-11T11:06:04.453-03:00</updated><title type='text'>Seu Doca</title><content type='html'>- Seu Doca, o senhor tem certeza de que vai prender “o homem”?&lt;br /&gt;- Evidente que sim. Se o senhor, que é sargento, não tem coragem de fazê-lo, vou eu sozinho.&lt;br /&gt;- Quê isso, seu Doca!  Tá me chamando de covarde?&lt;br /&gt;- Bom, eu não disse isso. O senhor me fez uma pergunta e eu apenas respondi.&lt;br /&gt;O policial ficou um tanto magoado com a mensagem que ficava nas entrelinhas daquilo que havia dito o delegado.&lt;br /&gt;- O senhor está no comando. Eu cumpro determinação da lei.&lt;br /&gt;- Eu já estou indo cumprir a lei. O senhor pode vir comigo ou não. Decida-se.&lt;br /&gt;Seu Doca, o delegado, entrou no fusca preto e branco da polícia e já ia ordenando ao motorista que seguisse, quando o sargento Siqueira veio correndo de dentro da delegacia.&lt;br /&gt;- O senhor não vai sem mim!&lt;br /&gt;Entra logo aí, que eu já estou de partida.&lt;br /&gt;- Seu Doca, “o homem” é juiz, seu Doca. O senhor tá fazendo besteira. Disse o sargento mais uma vez.&lt;br /&gt;O delegado ficou taciturno. Teria mudado de idéia? Na verdade ele recordava o que havia vivido até aquele dia, vendo-se delegado da cidade na obrigação de prender um juiz arruaceiro.&lt;br /&gt;Nascera em outros tempos, quando uma criança não passava de um adulto em miniatura. Desde de criança fora obrigado a trabalhar para ajudar no sustento da casa. Levantava às quatro da manhã para trabalhar no açougue, às oito ia para a escola, onde em pouco tempo já seria professor dos seus ex-colegas. Com catorze anos  começou a trabalhar com tropas, mas logo fora chamado para ser administrador de uma fazenda. Tudo ia muito bem, mas o jovem Doca teve uma desilusão amorosa e trocou a tranqüilidade da fazenda de gado pela efervescência da Usina Itaicy, onde ingressara aos dezessete como auxiliar da contabilidade. Foram tempos de muita prosperidade; o moço simples logo se viu em terno de linho branco e chapéu de palhinha. Conhecia o funcionamento administrativo da usina do avesso e logo seria uma peça fundamental dentro da administração da empresa.&lt;br /&gt;Um dia, porém, a usina cerrou suas portas e Doca teve que trocar o conforto de um gabinete e o terno de linho pela dureza da pesca e o cultivo da terra, pois agora tinha mulher e filhos para sustentar. A mulher, por uma infelicidade, faleceu pouco tempo depois, ficando ele sem ter como acompanhar a criação dos filhos e foi compelido a um novo casamento com uma quase estranha, mas que tinha muito carinho pelas suas crianças.&lt;br /&gt;As provações tornaram Doca no “homem dos sete instrumentos”: professor, administrador, contador, pescador, agricultor, comerciante e... músico, animando os carnavais de Santo Antônio com seu pistão. Mas o homem “pau-pra-toda-obra” nunca teve um diploma superior. Orgulha-se de mostrar seu diploma de admissão e só.&lt;br /&gt;Seu Doca sempre fora um cidadão idôneo, de forma que, por várias ocasiões, fora convocado como cidadão de bem a ocupar cargos públicos de confiança. Agora fora incumbido de assumir a delegacia da cidade. Santo Antônio de Leverger sempre fora uma cidade pacata em dias normais, mas havia um certo juiz de Cuiabá que levava uma vida de austeridade na capital e, nos fins-de-semana transformava Santo Antônio na sua Sodoma: bebia muito, brigava, descarregava revólver no meio da rua, enfurnava-se numa casa-de-tolerância e lá apavorava todo mundo. Quando o dono de um estabelecimento via o juiz chegar bêbado (e ele só andava bêbado em Santo Antônio) sabia que logo teria sérias confusões. Porém todos temiam sua posição de magistrado e nada faziam, mas Doca já estava com esse homem pelos escalpos.&lt;br /&gt;Voltando de sua breve divagação, o delegado pede ao motorista da viatura:&lt;br /&gt;- Gonçalo, vamos até a casa do fotógrafo!&lt;br /&gt;- Já é tarde seu Doca! Disse o motorista.&lt;br /&gt;- Preciso dele. Vamos até lá!&lt;br /&gt;Sem maiores explicações, tirou o homem da cama, colocou-o no carro e seguiram para um bordel afastado da rua. O delegado trazia algo enrolado em uma toalha e nenhum dos três ocupantes da viatura imaginava o que ele estava preste a fazer.&lt;br /&gt;Duzentos metros antes de chegar na casa, ele pediu que a viatura parasse. Pediu também que o motorista ficasse ali e só aproximasse se ouvisse um disparo de arma de fogo e seguiu com o sargento e o fotógrafo. Gonçalo ficou ali assustado e temeroso das idéias tortas do seu superior. Imagina só! Prender um juiz! Só seu Doca mesmo e a sua mania de fazer tudo certinho. Imagina só! Quarenta e três minutos depois – aguardados com impaciência pelo motorista – ouviu-se três disparos de arma de fogo. Gonçalo ligou a chave da viatura e seguiu para a casa apavorado, vencendo o areião da  estrada. Quem teria morrido? Seu Doca? O juiz? O covarde do sargento? Ou algum inocente? Gonçalo estava tão apavorado, que nem percebeu que seguia pelo caminho rezando. Ao chegar, viu o delegado sereno em meio a um cenário tranqüilo, o juiz caindo de bêbado algemado, sendo conduzido pelo sargento que fazia pose de herói para as fotos que espalhavam flashes por todo o pátio do palacete; os clientes todos escondidos nos quartos e as mulheres assistindo a tudo triunfantes.&lt;br /&gt;O fusca voltou até baixo, pois só o juiz ocupava quase todo o banco traseiro, com seu corpão de peixe-grande. O prisioneiro não emitiu um gemido, uma queixa ou um protesto. Seguiu sempre de cabeça baixa e calado. Ao chegar à delegacia, entrou sem resistência na cela, deitou-se no catre e dormiu. O sargento ficou muito prosa depois da prisão e falava o tempo todo revivendo cada momento daquela operação. Seu Doca, no entanto nada dizia, sempre envolvido em organizar as coisas da delegacia.&lt;br /&gt;- E aquelas fotos, seu Doca?&lt;br /&gt;- Que tem aquelas fotos?&lt;br /&gt;- O senhor vai publicar no jornal?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Vão só para os autos?&lt;br /&gt;- Também não.&lt;br /&gt;- Então...&lt;br /&gt;- E tem mais.&lt;br /&gt;Seu Doca desenrolou a toalha e mostrou um gravador que trazia oculto consigo.&lt;br /&gt;- Eu gravei tudo o que ele estava dizendo: as imoralidades, as incitações à desordem que fazia. Isso somado as fotos e a situação em que ele foi flagrado são nosso salvo coduto que eu não revelarei, se ele não questionar minha atitude, tampouco empreender contra nós algum tipo de perseguição.&lt;br /&gt;- O senhor é esperto, seu Doca! Muito mais esperto do que muito doutor por aí.&lt;br /&gt;Hoje seu Doca, septuagenário, repousa no anonimato fazendo uma coisa aqui, outra ali na sua lanchonete em Santo Antônio de Leverger. Os mais antigos, no entanto, sabe que com ele não se brinca, pois o homem foi o único a prender um juiz por ali até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Henrique Alves Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autor: Paulo Henrique Alves Machado). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4775361817915151294-3124567782255775319?l=leverger-online.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4775361817915151294/posts/default/3124567782255775319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4775361817915151294/posts/default/3124567782255775319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leverger-online.blogspot.com/2008/01/seu-doca_11.html' title='Seu Doca'/><author><name>Mírian Ferraz</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_ICW3SDpEr9w/S783vjAT1cI/AAAAAAAAAOA/XSvGuYFEiBg/S220/15x21.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4775361817915151294.post-6115683870030484964</id><published>2008-01-09T16:55:00.000-03:00</published><updated>2008-01-09T16:59:16.303-03:00</updated><title type='text'>Um Caso de Urgência</title><content type='html'>Era a estréia de Guilherme num time profissional. Saiu do fosso com o timão e se assombrou com as arquibancadas do estádio cheias. Em meio a flash, microfones e filmadoras, alguém lhe entrega uma carta:&lt;br /&gt;“Se jogar essa partida, perderá a farmácia”.&lt;br /&gt;Mas como? O que tinha uma coisa a ver com a outra? Ele não queria perder sua farmácia, mas também não poderia abdicar do prazer de jogar aquela partida. Em seguida outro bilhete:&lt;br /&gt;“Sua mulher está aqui com a gente”.&lt;br /&gt;Agora já não era mais uma simples chantagem, mas um seqüestro. Alguém o chamou:&lt;br /&gt;- Guilherme! Ô Guilherme, acorda!&lt;br /&gt;O farmacêutico acordou assustado com os gritos lá embaixo.&lt;br /&gt;- Acorda ai, ô farmacêutico! Tem gente precisando!&lt;br /&gt;Era difícil de acreditar... ele havia fechado a farmácia às onze horas, trabalhara desde as sete da manhã e ainda havia cliente chamando para abrir a drogaria às três da madrugada! Não era possível. Aquilo não passava de ser algum gaiato bêbado, de volta da festa de carnaval, que resolvera pregar-lhe uma peça. Virou-se e voltou a dormir.&lt;br /&gt;- Ô da farmácia! Acorda!&lt;br /&gt;Aglae, a esposa, não se conformou com a indiferença do marido e interveio.&lt;br /&gt;- Você não vai atender, Guilherme?&lt;br /&gt;- Isso é gente bêbada.&lt;br /&gt;- Vai pelo menos ver o que é. Só assim ele para de gritar.&lt;br /&gt;- Já vai! Gritou para se ouvido lá fora.&lt;br /&gt;Ele era o dono da única farmácia de Santo Antônio de Leverger e por isso não podia se dar ao luxo de não atender quem quer que fosse.&lt;br /&gt;Nasceu ali mesmo, na velha Santo Antônio, assim como seus antepassados. Seu avô fora trabalhador da lendária usina de Itaicy no tempo em que a punição para os crimes era o enforcamento público. Dizia o avô que, naquele tempo, os poderosos, ao se encantarem com uma jovem mulher, mandavam seus empregados buscarem-nas na casa de seus pais que eram obrigados a entregá-las sob pena de serem mortos.&lt;br /&gt;O Pai de Guilherme foi vendedor de fumo, tornando-se depois funcionário público. Foi nessa época que eles vieram morar em Várzea Grande. Ele ainda era criança e, depois da escola, dedicava-se inteiramente ao futebol. Não conseguiu nenhuma vaga em times profissionais, mas logo perceberam que o garotinho era muito esperto. Aos quinze anos, foi convidado para trabalhar em uma farmácia. No começo era Office-boy, depois vendedor e finalmente, com 18 anos, gerente do estabelecimento. Era um orgulho para os pais o “filho trabalhador”. O irmão mais velho interessou-se pela sua capacidade de gerência e o convidou para juntos abrirem uma drogaria na terra natal.&lt;br /&gt;Naquele tempo, Santo Antônio tinha uma lojinha que, entre outras coisas, vendia alguns remédios mais simples. Quando se tratava de algo mais sério, o jeito era comprar em Cuiabá.&lt;br /&gt;O sobrado de andar brotou do chão e cresceu do dia para a noite como moringa nova. O prédio imponente no centro da cidade recebeu, no galpão inferior, belos expositores de vidro com espelhos que faziam a loja parecer muito maior do que era. Os moradores da cidade entravam na farmácia até para tomar preço de aspirina, só como pretexto para conhecê-la.&lt;br /&gt;O negócio prosperou, mas Guilherme estava intrigado, pois o irmão e sócio não o ajudava com o trabalho; limitava-se a dividir os lucros. Foi quando o rapaz decidiu desfazer a sociedade. Trabalhador e muito seguro, Guilherme já havia juntado dinheiro suficiente pra comprar a parte do irmão. Depois vieram vários planos e pacotes econômicos e o farmacêutico sempre firme. O plano real foi o mais perverso pra ele, mas mesmo assim ele está lá, no mesmo lugar, desde 1985.&lt;br /&gt;Levantando cedo e dormindo tarde, sem poder se divertir como os outros cidadãos; padecendo com a inadimplência dos maus pagadores; importunado pelos viciados que insistem em comprar suas drogas, mesmo sem a receita especial; procurado, em segredo, pelas jovens para fornecer-lhes pílulas anticoncepcionais e toda infinidade de esquisitices que se possa imaginar, Guilherme e sua esposa têm enfrentado tudo para manter sua farmácia aberta e servindo sua cidade. Mas acordá-lo aos gritos as três da manhã parece-lhe um pouco demais, mas, pelo jeito, deve ser coisa séria.&lt;br /&gt;Guilherme sai na sacada do primeiro andar espantando pedaços de sono.&lt;br /&gt;- Pode dizer, amigo!&lt;br /&gt;- Dá pro senhor descer aqui?&lt;br /&gt;Não fosse o Ricardo da Maria do seu Joaquim, ele não desceria não. Apesar do rapaz estar aparentemente embriagado. Desceu trocando as pernas pela escadaria, destrancou o portão e finalmente...&lt;br /&gt;- O que está acontecendo, Ricardo?&lt;br /&gt;- Não, sabe... pintou uma mulher ai pra mim, mas eu não tenho camisinha. Então eu vim pedir pra você me vender uma fiado. Dá pra vender?&lt;br /&gt;Guilherme teve tanta raiva que veio até a boca um “vai a merda”, mas depois ele se lembrou que brigar com bêbado é tempo perdido. Foi lá dentro e pegou uma do seu uso e entregou-lhe dizendo:&lt;br /&gt;- Outra vez que você me acordar por causa de uma coisa sem importância dessas, eu juro que lhe parto a cara.&lt;br /&gt;- Foi mal! Valeu, Guilherme! Depois a gente joga futebol junto.&lt;br /&gt;Guilherme deu as costas com raiva.&lt;br /&gt;- Vai a merda!&lt;br /&gt;Ao voltar para a cama, Aglae perguntou curiosa:&lt;br /&gt;- O que era?&lt;br /&gt;- Queria uma camisinha.&lt;br /&gt;- Quê! Não. Eu não posso acreditar... você disse “uma camisinha”?&lt;br /&gt;- Foi o que ele me pediu.&lt;br /&gt;Ela começou a rir, sacudindo nervosamente a cama de molas e Guilherme substituiu a raiva por um riso nervoso que acompanhou o da sua mulher. Choraram de rir e perderam o sono. Depois foram fazer café e logo o dia amanheceu para outra jornada de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Henrique Alves Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autor: Paulo Henrique Alves Machado). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4775361817915151294-6115683870030484964?l=leverger-online.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4775361817915151294/posts/default/6115683870030484964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4775361817915151294/posts/default/6115683870030484964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leverger-online.blogspot.com/2008/01/um-caso-de-urgncia.html' title='Um Caso de Urgência'/><author><name>LevergerOnLine</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12152676512350694477</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://bp1.blogger.com/_NXZExM1axUI/SE1PbKGGSwI/AAAAAAAAADM/Hy1HWimzCew/S220/banner.jpg'/></author></entry></feed>
